Zuzu Angel, foi a primeira estilista brasileira a utilizar chita em suas roupas. Ela nasceu em Curvelo em 1921 e mudou-se ainda menina para Belo Horizonte, depois para Bahia carregando deste local muitas influências em sua moda. Em Minas Gerais fazia roupas para primas, começou a trabalhar profissionalmente como costureira nos meados dos anos 50.
Nos anos 70, abriu sua loja em Ipanema e fez desfiles com bastante sucesso no exterior, para onde levou a linguagem brasileira com espaço nas vitrines da Quinta Avenida, em Nova York.
Foi pioneira, entrando no mercado norte americano na época em que o conceito que tínhamos da moda americana no Brasil era muito negativo e não tinha quase nenhuma aderência, já que a cultura européia era a grande referência e predominou durante toda a metade deste século.
Zuzu valorizou a mulher como ser criativo, o que era muito pouco aceito na época. Criar moda não era considerado tarefa feminina. A mulher poderia estar sentada na mesa de costura, mas não era dada a ela a honra de ser uma criadora de moda. Zuzu teve esta coragem e conseguiu se impor num mercado totalmente dominado por estereótipos. Conquistou o mercado por sua simplicidade, por sua feminilidade e por sua profundidade. Começou, antes dos outros costureiros, a divulgação de sua marca, colocando-a externamente na roupa. Buscava não somente o mercado elitizado, mas também queria vestir a mulher da rua, a mulher dos pontos de ônibus, a que voltava do supermercado.
Na época este conceito era subestimável, era querer vestir em grande escala, querer vestir pessoas que não tinham recursos para frequentar um ateliê. Zuzu teve uma macro visão da moda, sendo considerada, filosoficamente, uma pioneira. O mérito de Zuzu Angel é considerado pela originalidade da sua proposta, pois fazia uma moda brasileira com materiais brasileiros, com linguagem pessoal, com cores tropicais. Isto foi uma proposta de caráter cultural que se manteve ao longo de seu trabalho. Foi a primeira a usar a renda de casimira. Misturou a renda de algodão com seda pura, usou chita com temas regionalistas e folclóricos. Trouxe também para a moda pedras brasileiras, fragmentos de bambu, de madeira e conchas. Assim ela incorporou em sua moda e sua época a ecologia e a brasilidade. Fonte: “Que Chita Bacana”, 240 páginas (Ed. A Casa) de Renata Mellão.


















